Porque Ele é amor...

Se você fosse Deus, dormiria sobre a palha,
             beberia leite materno e usaria fraldas?
             Eu não, mas Cristo sim.

Ele deixou de comandar anjos para dormir sobre a palha.

Deixou de dirigir as estrelas para apertar o dedo de Maria.

Quando viu o tamanho do útero, poderia ter desistido.

Quando percebeu como suas mãos seriam pequenas, quão suave seria sua voz,
          quanta fome seu estômago sentiria, poderia ter desistido.

Ao primeiro sinal do mau cheiro do estábulo, diante da primeira rajada de ar frio.

Na primeira vez em que arranhou o joelho ou assoou o nariz ou comeu pão queimado,
          poderia ter virado as costas e ido embora.

Quando viu o chão poeirento de sua casa em Nazaré.

Quando José lhe deu uma tarefa a cumprir.

Quando seus colegas de escola cochilaram durante a leitura da Torá, a sua Torá.

Em qualquer momento Jesus poderia ter dito: "Chega! Já bata! Vou para casa".
               Mas ele não fez isso.

Não o fez, porque ele é amor.

Aprenda a compartilhar um amor que vale a pena
Max Lucado

A Sede Satisfeita


"MAMÃE, ESTOU COM MUITA SEDE. QUERO ÁGUA!"

          Susanna Petroysan ouviu o pedido de sua filha, mas não podia fazer nada. Ela e sua filha de quatro anos, Gayaney, estavam debaixo de toneladas de aço e concreto. Ao seu lado, no escuro, estava o corpo da nora de Susanna, Karine, uma das 55 mil vítimas do pior terremoto na história da Armênia.
          A Calamidade nunca bate antes de entrar e, dessa vez, ela derrubou a porta.

          Susanna tinha ido à casa de Karine provar um vestido. Era 7 de dezembro de 1988, 11h30 da manhã. O tremor de terra ocorru às 11h41. Ela havia tirado o vestido e estava apenas de meias e anágua quando o quinto andar do edifício começou a tremer. Susanna agarrou sua filha e deu apenas alguns passos quando o piso se abriu e elas caíram. Susanna, Gayaney e Karine caíram no subsolo do prédio de nove andares, cercadas de escombros.
          "Mamãe, estou com muita sede. Por favor, me dê alguma coisa para beber!"
          Não havia nada que Susanna pudesse fazer.
          Ela estava deitada deibaixo dos escombros. Uma viga de concreto sobre sua cabeça e um cano d´água sobre os ombos a impediam de se levantar. Tateando no escuro, ela encontrou um pode de geléia que havia caído no porão. Ela deu toda a geléia para sua filha comer. Já havia passado o segundo dia.
          "Mamãe estou com muita sede!"
           Susanna sabia que ia morrer, mas queria pelo menos poder salvar sua filha. Encontrou um vestido, talvez fosse aquele que viera provar, e improvisou uma cama para Gayaney. Apesar de estar fazendo muito frio, ela tirou suas meias e as colocou sobre sua filha para aquecê-la.
          As duas ficaram ali durante oito dias.
          Por causa da escuridão. Susanna perdeu a noção do tempo. Por causa do frio, perdeu a sensibilidade dos dedos das mãos e dos pés. Por causa dessa impossibilidade de se mover perdeu a esperança. "Eu estava apenas esperando a morte chegar!"
          Ela começou a ter alucinações. SEus pensamentos vageavam. De vez em quando um sono providencial a livrava dos horrores do sepultamento: o frio, a fome, ou, mais frequentemente, a voz de sua filha.
          "Mamãe, estou com sede."
       Em algum ponto daquela noite eterna Susanna teve um idéia. Ela se lembrou de um programa de televisão em que um explorador do Ártico estava morrendo de sede. Seu companheiro deu um corte profundo na mãe e deu seu próprio sangue para ele beber.
          "Eu não tinha água, nenhum suco de fruta, nenhum líquido. Foi aí que me lembrei que tinha meu próprio sangue!"
          Tateando com os dedos dormentes de frio, encontrou um pedaço de vidro quebrado. Abriu com ele o dedo polegar da mão esquerda e o deu para sua filha chupar.
          As gotas de sangue não eram suficientes, "Por favor, mamãe, um pouco mais. Corte outro dedo." Susanna não se lembra de quantas vezes teve que se cortar. Ela sabe apenas que, se não houvesse feito isto antes, Gayaney teria morrido. Seu sangue era a única esperança de sua filha.
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         "Este cálice é o novo pacto em meu sangue", explicou Jesus, apontando para o vinho.
          Debaixo dos escombros de um mundo decaído, Ele feriu suas mãos. Nos destroços de uma humanidade Ele feriu o seu lado. Seus filhos estavam soterrados, então ele lhes deu seu próprio sangue.
           Era tudo o que ele tinha. Seus amigos tinham desaparecido. Suas forças estavam diminuindo. Seus bens haviam sido roubados. O próprio Pai lhe havia escondido o rosto. Seu sangue era tudo o que tinha. Mas seu sangue foi suficiente.
          "Se alguém tem sede, venha a mim e beba."
           Não é fácil admitir que temos sede. Fontes falsas aclamam nossa sede com goles açucarados de prazer. Mas chega o momento em que o prazer não satisfaz. Vem a hora tenebrosa da vida em que o mundo cai e somos soterrados nos escombros da realidade, chamuscados e moribundos.
           Alguns preferem morrer a admitir que tem sede. Outros admitem e escapam da morte. "Senhor, eu preciso de ajuda!"
          Por isso os sedentes vêm. Somos um grupo de esfarrapados, unidos por sonhos irrealizados e promessas fracassadas. Riquezas que nunca acumulamos. Famílias que nunca construímos. Promessas que nunca cumprimos. Crianças de olhos arregalados soterradas no subsolo de nossos próprios fracassos.
          Estamos com muita sede.
          Não é sede, fama, riqueza, paixão ou romance. Já bebemos de tudo isto. São águas amargas no deserto. Elas não dessedentam - elas matam.
         "Bem-aventurados os que tem fome sede de justiça..."
          Justiça. Isto mesmo. É disto que temos sede. Temos sede de uma consciência tranqüila. Desejamos uma vida limpa. Queremos um novo começo. Pedimos que uma mão entre na escura caverna de nosso mundo e faça por nós uma coisa que não podemos fazer - tornar-nos retos novamente.

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          "Mamãe, estou com sede", rogava Gayaney.
          "Foi ai que me lembrei que tinha meu próprio sangue", explicou Susanna. E então, o dedo foi cortado, o sangue foi derramado e a criança foi salva.
          "Deus, estou com sede", oramos.
          " Isto é o meu sangue, o sangue do pacto, o qual é derramado por muitos para remissão dos pecados", declara Jesus.
         E sua mão foi ferida,
                 o sangue derramado,
                          e os filhos foram salvos.

Do livro "O Aplauso do  Céu"  de Max Lucado

De Nova York ao P Norte




Quanto tempo não escrevo!
Merecidas férias com a família na praia...

Estou de volta e quero escrever sobre algo que me aconteceu e me marcou muito neste ano de 2010.
Estar em duas economias tão distintas num período de dois dias me fez pensar e repensar muitas coisas. Quero começar com um texto bíblico:

"Porque o amor ao dinheiro é a raiz de todos os males; e essa cobiça alguns se desviaram da fé, e se transpassaram a si mesmos com muitas dores" 1 Tm 6:10

"Porque é mais fácil entrar um camelo pelo fundo de uma agulha do que entrar um rico no reino de Deus." Lc 18:25


Nunca consegui entender muito bem esses textos. Quando lia o primeiro, entendia que o dinheiro é a raiz de todos os males. Significando que quem tem muito dinheiro tem muitos males. E eu acreditava assim, mesmo que inconscientemente: Deus me livre dinheiro! Trás muitos males.
Estranho não?! Falta de entendimento...
Depois com um pouco mais de entendimento, descobri que não é assim. Não é o dinheiro a raiz de todos os males, mas o amor ao dinheiro. São coisas bem distintas!

E também, imaginar um camelo passando pelo fundo de uma agulha é algo estranho. E dizer que dificilmente um rico entra no reino de Deus, para mim era dizer que no reino de Deus só tem gente pobre. Pobre financeiramente, nada de pobreza de outras coisas.

E aí eu pergunto: O que é amar dinheiro? O que é ser rico? É rico quem ganhar acima de quanto?! Quem é pobre? Se você nunca fez essas perguntas, eu já... 

Pois vejam só. Estou eu um belo dia em NY. Cidade maravilhosa! Mesmo já morando nos EUA, nunca tinha ido e posso dizer sem sombra de dúvidas que saí de lá com vontade de voltar. Voltaria anualmente com muito prazer. Na verdade, voltaria semestralmente. Melhor ainda, bimestralmente!  
Passei uma semana maravilhosa com parentes. Fiz todos aqueles passeios de turista. Andei de bicicleta pelo Central Park, vi a estátua da liberdade, tomei muitos cafés com bolo de limão no Starbucks, tirei uma foto com o touro de Wall Street, assisti um musical da Broadway e andei muito de metro que por sinal achei bem feio embora te leve para qualquer lugar. Típica viagem de turista!

Ao andar pela 5a avenida, percebi que a enorme (ao meu ver) quantia de dinheiro que tinha levado para a semana inteira,  poderia ser gasta em apenas um item de uma loja. Opa, não estou com tanto dinheiro assim, pensei eu. Analisando algumas outras lojas, percebi ainda que todo o meu dinheiro não era 10% de um vestido de outra loja. Caramba, estou mal, pensei! Tudo bem... pra que ter um vestido tão caro?! Nossa, como uma pessoa pode comprar um vestido tão caro tendo tanta gente passando fome no mundo?!!?? É um absurdo!!!! (tive esses devaneios morrendo de vontade de ter um desses maravilhosos vestidos e arrasar em uma festa)


Voltei para casa muito feliz, com minha mala cheia, preocupadíssima em extrapolar o limite de peso da bagagem e animadíssima em voltar a NY. Que sonho de lugar! Que arquitetura rica!

Ao chegar em Brasília, logo no dia seguinte, minha amiga sócia, me pede para levá-la a um lugar que eu nunca tinha ido para entregar alguns produtos que ela tinha vendido. O lugar não é de fácil acesso e a foto tá lá em cima pra vocês conhecerem onde fui. Um lugar não asfaltado muito mal urbanizado. Muito diferente do lugar que tinha acabado de chegar.

Eu ainda estava com NY na cabeça. Ainda sonhando com aquela realidade..... Aí eu acordei!

Cheguei lá com meu carro e entrei no restaurante da cliente para entregar o produto. Minha amiga logo disse que eu tinha acabado de chegar de NY e já estava me achando.....  e continuei só prestando atenção à realidade da situação.
Pensei: Meu Deus, como podem existir duas realidades tão distintas?! E que choque presenciar isso!

EM NY eu era pobre......uma mera moradora de um país de terceiro mundo...
                                       que não tinha 10% do valor de um vestido até "básico" de uma loja da 5a avenida

Nesse outro lugar eu era rica..... uma super chique moradora do plano piloto da capital do brasil...
que poderia muito bem ser a pessoa mais rica da rua

Como posso pertencer a duas classes sociais em tão curto período de tempo?!

Digo uma coisa a você, agradeço muitíssimo a Deus por vivenciar essas realidades tão distintas. Não tem nada melhor. A gente fica um pouco mais pé no chão e você agradece mais do que reclama.

Qual é o seu valor? Que valor você dá para o dinheiro? Mais do que deveria?! Você acha que está bem porque ganha bem? Sabia que o seu ganhar bem pode ser muito e pode ser nada dependendo do referencial?! 

Deus nos criou para sermos e não termos! Devemos buscar as coisas de Deus primeiro, depois Ele nos acrescentará TODAS as outras coisas. Acredito que a grande  maioria de nós busca as outras coisas primeiro, depois as coisas de Deus. Não é verdade?! Que grande desafio!

Andando nessas duas realidades, vi todo tipo de coisa. Lugares muito pobres onde pessoas amavam tanto o dinheiro ao ponto de fazerem coisas muito feias para consegui-lo. Quanto mais faziam isso, menos tinham. Vi outras que eram tão ricas de saúde, amor e harmonia, mesmo com tão pouca comida em casa. Outras tão bem financeiramente que andam com um buraco no meio do peito de tão vazias e algumas tão ricas e tão generosas.

E aí?!
E ai que é muito bom eu olhar para essas duas fotos de vez em quando. Elas me ajudam a me colocar no meu devido lugar. Não me achar de mais nem de menos. Me ajudam a lembrar que o valor que tenho não está no que tenho e sim no que sou. Me ajudam a lembrar que sempre posso ajudar alguém e que ninguém é melhor do que ninguém. Me ajudam a lembrar também que minha vida é maravilhosa, exatamente com tudo o que tenho e sou HOJE e por último, me  ajuda a lembrar  que algum dia quero voltar para NY ...

 Boa noite e sonhe com os anjos do Senhor
Mel Cruz