Igreja comércio? Igreja ou comércio? Só comercio? Só igreja?



Vou ser sincera. Com a imagem (errônea) do Jesus loiro de olhos azuis com ar angelical que cresci, tive dificuldade de imaginar o texto abaixo.

João 2:14 – 16 “ E encontrou no templo os que vendiam bois, ovelhas e pombas e também os cambistas assentados; tendo feito um chicote de cordas, expulsou todos do templo, bem como as ovelhas e os bois, derramou pelo chão o dinheiro dos cambistas, virou as mesas e disse aos que vendiam as pombas: Tirai daqui estas coisas; não façais da casa de meu Pai casa de negócio.


Mat 21:13 = “A minha casa será chamada casa de oração; 
vós, porém, a transformais em covil de salteadores. ”


Consegue imaginar a cena? Jesus com um chicote na mão expulsando pessoas inclusive animais?  

Assim como nos dias de hoje, naquele tempo todo tipo de gente frequentava o templo. Pobres e ricos, velhos e crianças, homens e mulheres. Quem era judeu costumava ir para Jerusalém em peregrinação para adorar a Deus. Esse era o costume.

Infelizmente, alguns dos frequentadores do templo e seus líderes religiosos transformaram o templo  em “casa de comércio e privilégios”. 

Historiadores afirmam que os movimentos comerciais relacionados ao templo eram monopolizados pelas famílias dos próprios sacerdotes, Anás e Caifás, os quais recebiam lucros provenientes da venda de animais para os sacrifícios e também do câmbio de dinheiro envolvido nos tributos do templo.

Ou seja, um sacerdote corretamente empossado, usando um templo adequadamente construído com objetivos exteriormente santos, mas escusos.O templo virou um negócio.

Que texto atual!

Quantas igrejas hoje em dia tem servido a objetivos escusos? Quantos líderes tem obtido lucros através de comércio “legítimo” dentro das suas portas? Infelizmente isso sempre existiu e sempre existirá nas mais diversas religiões.

“E não precisava de que alguém lhe desse testemunho a respeito do homem, porque ele mesmo sabia o que era a natureza humana” Jo 2:25

Jesus conhecia e conhece o coração do homem.

Ele poderia viver num castelo, mas nem casa própria tinha. 
Veio ensinar a humildade e amor ao próximo.
Passou boa parte do seu ministério chamando os religiosos da época de hipócritas e raça de víboras. 
Gostava dos rejeitados, daqueles que ninguém queria chegar perto: mulheres, leprosos, prostitutas, paralíticos....

Quando vejo na internet o "Perfume de Jesus" a venda que exala o verdadeiro aroma de Cristo ou o  "Óleo e sal ungido em Israel" confesso que fico “um pouco” indignada mas não surpresa. 

Alguém duvida de que se Jesus desse uma volta em algumas igrejas por aí daria umas boas chicotadas? 

“Acautelai-vos dos falsos profetas, que se vos apresentam disfarçados em ovelhas, mas por dentro são lobos roubadores. Pelos seus frutos os conhecereis. Colhem-se, porventura, uvas dos espinheiros ou figos dos abrolhos? Assim, toda árvore boa produz bons frutos, porém a árvore má produz frutos maus. Não pode a árvore boa produzir frutos maus, nem a árvore má produzir frutos bons. Toda árvore que não produz bom fruto é cortada e lançada ao fogo.  Assim, pois, pelos seus frutos os conhecereis. ” Mt. 7: 15-20

Quando penso nesse assunto, na indignação de Jesus sobre o templo virar negócio, fico pensando: Não deveríamos ter a mesma reação? Não deveríamos nos indignar ao ver esse tipo de coisa ao ponto de fazer algo, não simplesmente olhar e deixar passar?

Talvez imitar Jesus como sempre pregamos não seja tão fácil. 






Um comentário: