Como Davi


"Viu, porém, Davi que seus servos falavam baixo, e entendeu Davi que a criança estava morta, pelo que disse Davi a seus servos: Está morta a criança? E eles disseram: Está morta.
Então Davi se levantou da terra, e se lavou, e se ungiu, e mudou de roupas, e entrou na casa do SENHOR, e adorou. Então foi à sua casa, e pediu pão; e lhe puseram pão, e comeu.
E disseram-lhe seus servos: Que é isto que fizeste? Pela criança viva jejuaste e choraste; porém depois que morreu a criança te levantaste e comeste pão.
E disse ele: Vivendo ainda a criança, jejuei e chorei, porque dizia: Quem sabe se DEUS se compadecerá de mim, e viverá a criança?
Porém, agora que está morta, porque jejuaria eu? Poderei eu fazê-la voltar? Eu irei a ela, porém ela não voltará para mim.
Então consolou Davi a Bate-Seba, sua mulher, e entrou a ela, e se deitou com ela, e ela deu à luz um filho, e deu-lhe o nome de Salomão; e o SENHOR o amou."
                                                                                                                              2 SAMUEL 12: 19 a 24
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É tão bom encontrar na Bíblia pessoas parecidas conosco, que erram como nós, tortas, imperfeitas, feias... e, mesmo assim com tanto a nos ensinar. Talvez se hoje avaliássemos Davi, para muitos de nós ele seria apontado como uma má pessoa, um péssimo cristão, um exemplo para não ser seguido. E em parte teríamos razão.
                Davi foi uma pessoa excessivamente transparente, seus erros e acertos eram abertamente divulgados e julgados pelo povo. Hora era herói, hora vilão. Não deve ser fácil viver assim. Vejo como algo quase natural nossa mania de proclamar os acertos e varrer para debaixo do tapete nossos erros e vergonhas. Buscamos ter um saldo positivo da nossa imagem pública. É importante que nos vejam bem, tenham boas expectativas conosco e que só percebam nossos pequenos erros para que orgulhosamente possamos lembrar a todos que ainda somos humanos, que ainda freqüentamos este mundo corrompido.
            Agora é importante ressaltar o seguinte, coitados daqueles que ficam com seu saldo negativo, que tem seus pecados expostos, que têm a sua vergonha descoberta, estes são martirizados publicamente, excluídos da comunhão dos santos, são condenados a carregar um fardo eterno de cristãos de segunda ou terceira categoria. Será que somos assim? Será que nos tornamos mais falsos e insensíveis do que aqueles fariseus tão severamente advertidos pelo senhor Jesus? Pense como você tratou no seu coração aquele irmão pego na mentira, ou no furto, ou aquele pastor que caiu no adultério, quem sabe na pedofilia ou foi pego numa relação homossexual, como foram tratados em nossas comunidades? Qual futuro eles tiveram na convivência da igreja, nos trabalhos, nos relacionamentos?
            O interessante é que Deus não julga como nós, Ele não fica fazendo avaliações instantâneas e nos promovendo ou desistindo de nós em cada passo que damos. Teríamos acabado com Davi, por todas as suas mentiras, enganos, fingimento, pela violência, pelo adultério, pelo mau exemplo como marido e como pai. Com certeza Deus não aprovou seus erros, se entristeceu com seus pecados, o corrigiu duramente algumas vezes, mas Deus não o abandonou, não desistiu dele. Já no fim da vida de Davi, talvez olhando para aquele pequeno servo, Deus disse que ele era o homem segundo seu coração. Deus estava olhando seu interior, sensível, quebrantado, pronto a consertar, pronto a obedecer, a servir, a amar.
            Perceba como Davi lidou com essa cena trágica de sua vida e como devemos aprender com ele. Quando o profeta Natã confrontou seu pecado e anunciou a disciplina de Deus como conseqüência, Davi se entristeceu, se humilhou, afligiu a sua alma e buscou a face de Deus. Sabia que o Pai o havia perdoado, mas queria que a conseqüência fosse reduzida ou cancelada. É triste a verdade que o sofrimento causado por nossos erros muitas vezes são mais sentidos por aqueles que estão perto de nós, por aqueles que mais amamos. Assim foi com Davi, seu filho veio a falecer, e foi nos dias de sua enfermidade e dor que o rei intercedeu com todas as suas forças, até que triste notícia chegou.
            Aí o que fez Davi? Penso que enterrou seu filho, virou a página,  encerrou aquela história, tomou banho, trocou de roupa e recomeçou a sua vida. Errou? Sim, porém foi confrontado, confessou seu erro, sofreu as conseqüências, e continuou. Não ficou para sempre chorando o morto, não ficou magoado com Deus, não ficou fechado num quarto deprimido pelo que ele fez ou pelo que fizeram a ele. Consolou sua esposa, tiveram um novo filho, Salomão, Deus o amou, o abençoou, fez dele rei de Israel. Aquela história muito triste terminou, morreu... mas da postura de Davi começou ali uma nova história, uma nova vida.


            Meu primeiro convite é aprendermos com o Pai como tratar nossos irmãos, lembrar que o amor cobre multidão de pecados, lembrar que o mais santo de todos os filhos de Deus só é salvo pela graça, por nossas obras todos seríamos condenados. Não fique condenando a cada tropeço de seu próximo, esteja sempre disposto a perdoar, a dar mais uma chance, e não se esqueça que se algum dia o seu pecado for exposto, a sua vergonha for descoberta e o pensamento mais obscuro e secreto for trazido à luz, torça para encontrar pessoas maduras, cristãos tratados pelo Pai, irmãos que te amem ao invés de te expor, que te acolham e não te rejeitem. Meu segundo convite é para você que tem sofrido a conseqüência do seu pecado ou do pecado de alguém próximo, aprenda com Davi, sofra em quanto precisa sofrer, se humilhe diante de Deus, quebrante seu coração, suporte a disciplina. No tempo certo vire a página, enterre o morto, recomece sua vida, uma falha ou um pecado não podem determinar quem você é!!! Deus conhece seu interior, seu coração. Receba o perdão Dele e, numa postura nova, escreva um novo capítulo da sua história,  busque ser como Davi, que mesmo sendo criticado por muitos se tornou o homem segundo o coração de Deus.


Que Deus nos abençoe,


Bruno Costa.

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