Terminando firme


Um dos livros em minha estante trata do poder dos abominais. A capa mostra um homem flexionando sua barriga esbelta. O seu estômago tem mais ondulações e saliências do que um açude em dia de ventania. Inspirado, comprei o livro, li sobre a aplicação geral e fiz os exercícios... durante uma semana.

Não muito longe do livro sobre abdominais está uma série de fitas cassete sobre leitura dinâmica. Essa compra foi idéia de Denalyn, mas quando li o anúncio fiquei igualmente entusiasmado. O curso promete fazer por minha mente o que o livro sobre o poder dos abominais prometeu fazer por meu estômago - torná-lo como aço. A contracapa promete que ao concluir a série de seis semanas, a pessoa estará apta a ler duas vezes mais rapidamente, retendo o dobro de informações. Tudo o que se tem a fazer é ouvir as fitas - o que pretendo fazer... algum dia.

Não me entenda mal. Nem todas as coisas em minha vida são incompletas. Confesso, porém, que nem sempre concluo aquilo que começo. E certamente não sou o único. Há algum projeto não concluído sob seu telhado? Quem sabe um aparelho para fazer exercícios, cuja função há muito tempo tem sido servir para pendurar toalhas? Ou um curso, ainda em aberto, de artesanato, do tipo "faça você mesmo"? Que tal aquela cobertura não concluída no quintal, ou ainda uma piscina só meio escavada, ou um jardim mal acabado? E não vamos sequer tocar no tópico das dietas e perda de peso, certo?

Você sabe tão bem quanto eu: uma coisa é começar algo, outra totalmente diferente é concluí-la. Talvez pense que lhe falarei da importância de concluir todas as coisas. Pode ser que você esteja amarrando-se a si mesmo para receber uma punição da minha parte. Se for o caso, relaxe. "Não comece aquilo que não será capaz de terminar" não é um dos meus tópicos. E também não vou dizer nada sobre o que é usado para pavimentar a estrada que leva ao inferno. Para ser honesto, não creio que deva concluir tudo o que começo.(Todo estudante com lição de casa ficou agora animado.)

Existem certas coisas que é melhor ficarem por concluir, e alguns projetos deveriam sabiamente ser abandonados.(Embora eu não inclua as lições de casa como uma delas.)
É possível nos tornarmos tão obcecados por concluir as coisas que nos tornemos cegos quanto à eficácia delas. O simples fato de haver um projeto sobre a mesa não significa que este não possa ser devolvido à prateleira. Não, meu desejo não é convencê-lo a concluir todas as coisas. O meu anseio é encorajá-lo a concluir aquilo que precisa ser concluído. Certos projetos são opcionais - como a prancha abdominal e a leitura dinâmica. Outras corridas são essenciais - como a corrida da fé. Considere a seguinte a seguinte admoestação do autor de Hebreus: "Corramos com paciência a carreira que nos está proposta" Hb 12.1

A carreira do cristão não é um exercício físico, mas sim uma árdua, exaustiva e, algumas vezes, agonizante carreira. Ela requer um esforço maciço para que o corredor vá até o fim e, ao término, ainda esteja forte. É provável que você já tenha percebido que muitos não a concluem assim. É certo que já tenha observado que existem muitos que vão ao lado da pista. Eles costumavam correr. Houve ocasiões em que estavam na dianteira. Mas então o cansaço chegou. Não pensavam que a carreira seria tão dura. Ou foram desencorajados por algum baque ou por se assustarem com algum outro corredor. Sejam qual for o motivo, não correm mais. A menos que algo mude, o melhor trabalho dessas pessoas terá sido o seu primeiro trabalho, e terminarão se lamuriando.

Em contraste, o melhor trabalho de Jesus foi o seu trabalho final, e seu passo mais firme foi o último. Nosso Mestre é o clássico exemplo de alguém que resistiu. "Suportou tais contradições dos pecadores contra si mesmo". A bíblia diz que Jesus "suportou", e isto implica que Jesus poderia ter abandonado. O maratonista poderia ter desistido, se sentado, ido para casa. Ele poderia ter abandonado a carreira. Mas não o fez. Ele suportou .

Num mundo cuja atenção está voltada para coisas como o poder dos abdominais e leitura dinâmica, tomaremos assento em nosso lugar à mesa. Numa hora que jamais terá fim, repousaremos. Rodeados por santos e transformados à semelhança do próprio Jesus, o trabalho estará realmente concluído. A colheita final terá sido feita, estaremos assentados, e Cristo iniciará o jantar dizendo as seguintes palavras: "Bem está, bom e fiel servo" Mt 25.23.
E naquele momento, veremos que a carreira foi compensadora.

Simplesmente como Jesus (Max Lucado)

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