A Glória no Comum


Há uma palavra que descreve a noite em que Ele veio ao mundo comum.

O céu era comum. Uma ocasional rajada de vento movia as folhas e resfriava o ar. As estrelas no céu eram diamantes brilhando sobre o veludo negro. Grupos de nuvens flutuavam diante da lua.

Era uma linda noite - uma noite digna de ser vista da janela do quarto mas nada de extraordinário. Nenhum motivo para esperar uma surpresa. Nada que fizesse uma pessoa ficar acordada. Uma noite comum, com um céu comum.

As ovelhas eram comuns. Algumas eram gordas, outras magricelas.  Algumas tinham ventres avantajados. Algumas tinham pernas finas. Eram animais comuns. Não tinha lã de ouro. Nada de extraordinário. Nenhum vencedor de premio em exposições pecuárias. Eram apenas ovelhas - silhuetas vagantes na paisagem campestre.

E os pastores. Eram camponeses. Provavelmente usando todas as roupas de que dispunham. Cheirando a ovelha e igualmente lanosos. Eram pessoas responsáveis, querendo passar a noite com seus rebanhos. Mas você não encontrará seus cajados num museu, nem seus escritos numa biblioteca. Ninguém pediu a opinião deles sobre justiça social ou sobre a aplicação da lei mosaica. Eram anônimos e simples.

Uma noite comum, com ovelhas comuns e pastores comuns. E se não fosse o fato de existir um Deus que gosta de colocar o extraordinário diante do ordinário, aquela noite teria passado desapercebida. As ovelhas teriam sido esquecidas e os pastores teriam dormido toda a noite.

Mas Deus dança no ambiente comum. E naquela noite Ele dançou uma valsa!

O céu escuro explodiu em brilho. Árvores que estavam na sombra surgiram na claridade. Ovelhas que estavam em silêncio se tornaram um coro de curiosidade. Num instante o pastor estava morrendo de sono, a seguir esfregava os olhos e contemplava o rosto de um estranho.
    A noite deixou de ser comum.
O anjo veio de noite porque é quando se pode ver melhor a luz e quando ela é mais necessária. Deus se mostra nas coisas comuns pelo mesmo motivo.

Seus instrumentos  mais poderosos são os mais simples!

Uma capelinha nos arredores de Belém marca o suposto lugar do nascimento de Jesus. Por trás do altar elevado está uma gruta, uma pequena gruta iluminada por lâmpadas de prata.

Você pode entrar no prédio principal e admirar a antiga igreja. Pode também entrar na tranquila gruta onde uma cruz encravada o chão reconhece o nascimento do Rei. Há uma condição entretanto. Você tem de se abaixar. A porta é baixa e não se pode entrar sem se curvar.

O mesmo acontece em relação a Cristo. Você pode ver o mundo em posição ereta, mas para confessar a Cristo tem de se ajoelhar.
Portanto...
   Enquanto os teólogos estavam dormindo
         e a elite estava sonhando,
              e os bem-sucedidos estavam roncando,
                     os mansos estavam se ajoelhando.
Eles estavam se ajoelhando diante daquele que somente os mansos podem ver. Eles estavam se ajoelhando diante de Jesus.

Max Lucado

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