A História de Dona Maria



Hoje queria contar uma história que ouvi há anos e que muito edificou minha fé...
Nunca esqueci. Ela sempre volta ao meu coração e quero compartilhar com você.

É a história de Dona Maria.

Conheci Dona Maria há uns anos quando tinha uma loja e ela sempre estava por lá. Não diariamente, mas volta e meia chegava e receber seu abraço era algo fantástico...
Um belo dia, ficamos só nós duas (graças a Deus)  e tive a oportunidade de ouvir sua história de vida. Não lembro detalhes de tudo o que ouvi, mas nunca esqueci seu exemplo de fé...

Vamos lá...
Recém casados e muito jovens, ela e o marido vieram do Ceará há mais de trinta anos.
Quando chegou, morou em lugares muito simples e desse jeito criou os quatro filhos. Tive a oportunidade de conhecer duas filhas e netos. Sempre falava com grande orgulho dos filhos.
Criou os quatro muitas vezes tendo que passar o dia fora trabalhando e a mais velha na época com  nove anos cuidava (banho, fazia comida etc..) dos outros menores.

Então ela me contou o que aconteceu quando o marido saiu de casa muito cedo para trabalhar como de costume.
Os filhos estavam dormindo no barraco e ela despediu-se do marido, voltou para o colchão e pensou: E agora? Não temos nenhuma comida em casa nem dinheiro para comprar! O que meus filhos vão comer?

Ela continuou dizendo que lembrou-se da única pessoa que conhecia -  a vizinha. Mas logo lembrou, para sua tristeza, que ela estava no Nordeste sem previsão de volta. Então ficou ali, deitada pensando... E agora meu Deus, o que vou fazer??!

Cabe ressaltar que há 30 anos atrás, em cidade satélite do DF, mercado não era algo simples de se achar, ainda mais comprar alguma coisa fiado, sem dinheiro.

No barraco em que ela morava  não havia vedação.Eram tábuas umas coladas nas outras e pelas frestas entrava chuva e sol. Ela ficou deitada e o sol começou a entrar pelas frestas e o sol começou a clarear e aquecer o barraco.  Nesse mesmo instante ela ouviu como se fosse uma voz dizendo: “Filha, você está vendo como o sol nasce todos os dias? Da mesma maneira que o sol todo dia nasce, você todo dia terá o que comer. Não se preocupe.”

Ela me disse que sentiu uma paz tão grande e ficou ali deitada esperando alguma coisa acontecer...

Nem precisa dizer que o milagre aconteceu antes das crianças acordarem. De repente alguém bateu na porta. Era a tal vizinha que tinha antecipado a viagem e bateu na porta dela com uma bacia de comida trazida do nordeste que serviria para o café da manhã das crianças.
Ao me contar isso imaginei a cena. Ela deitada pensando, o sol entrando e a vizinha batendo na porta.

Na bacia tinha ovo, carne seca, linguiça, farinha e até rapadura  (lembro muito bem desse itens e confesso que pro meu paladar, não me pareceu uma combinação apetitosa para um café da manhã, mas ela estava MUITO feliz com o conteúdo).
Os filhos acordaram e ela fez tudo o que tinha direito, sem se preocupar se faltaria no dia seguinte. Foi um café da manhã muito farto!

E ela terminou dizendo, que hoje, quando ela olha para o sol, ela lembra da promessa de Deus!

É uma história simples, não é?! Digo a vocês que foi uma das melhores que já ouvi. Tão sincera, tão simples. É impossível transmitir a voz dela, os sentimentos, as emoções. Foram horas de conversa que aconteceu há mais de anos e simplesmente nunca esqueci. Sempre ela vem ao meu coração como exemplo de fé e simplicidade.

Hoje Dona Maria não é nenhuma milionária. Não mora em uma mansão (mora com a filha – em um quarto que  não entra sol ou chuva), não anda de Mercedes (anda de ônibus)  e não come caviar. Continua simples do mesmo jeito apenas com alguns confortos a mais. Mais o coração.... continua do mesmo jeito. Ela conseguiu me contar essa história, 30 anos depois, com a mesma intensidade, paixão, fé  e gratidão no coração.  NUNCA vou esquecer daquelas horas na minha sala...

E a minha oração é.... Quero daqui há 30 anos, contar com a mesma intensidade, tantas coisas maravilhosas que Deus fez. Aliás, quero contar HOJE!!! Temos que abrir nossa boca e simplesmente contar... Tenho certeza que cada um de nós tem uma bela história para contar, não é verdade?!

MC



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