Amigos até o fim






"Às pessoas não importa quanto você sabe, até que elas saibam quanto você se importa com elas." John Cassis


Earl C. Willer conta a história de dois homens que cresceram juntos e eram grandes amigos. Embora Jim fosse um pouco mais velho do que Phillip e quase sempre assumisse o papel de líder, eles faziam tudo juntos, chegando até a cursar o ensino médio e faculdade juntos.

Quando saíram da faculdade, decidiram ingressar no corpo de fuzileiros navais. Por uma singular série de circunstâncias, eles foram, na verdade, enviados juntos para a Alemanha, onde combateram lado a lado em uma das mais ameaçadores guerras da História.

Certo dia de calor escaldante, durante uma feroz batalha, em meio a pesado tiroteio, bombardeio e combate nas proximidades, eles receberam a ordem para bater em retirada. Enquanto os combatentes retornavam às pressas, Jim notou que Phillip não estava entre eles. Seu coração foi tomado pelo pânico. Jim sabia que, se Phillip não estivesse de volta em um ou dois minutos, ele não aguentaria.

Jim implorou a seu comandante que o deixasse ir atrás de seu amigo, mas, horrorizado, o comandante recusou o pedido dizendo que aquilo seria suicídio.

Arriscando a própria vida, Jim desobedeceu à ordem e saiu a procura de Phillip. Com o coração palpitando, orando e sem fôlego, ele corria em meio ao tiroteio, gritando por  Phillip. Pouco tempo depois, seu pelotão o viu atravessando com dificuldade o campo, carregando nos braços um corpo inerte.

O comandante de Jim o repreendeu, gritando que aquilo era perda de tempo e um enorme risco:
- O seu amigo está morto, e não havia nada que você pudesse fazer por ele ali.
- Não, senhor, o senhor está enganado - respondeu Jim. - Sabe? Cheguei lá em tempo. Antes de morrer, suas últimas palavras foram: "Eu sabia que você viria."

Completando a Carreira


Um dos livros em minha estante trata do poder dos abdominais. A capa mostra um homem flexionando sua barriga esbelta. O seu estômago tem mais ondulações e saliências do que um açude em dia de ventania. Inspirado, comprei o livro, li sobre a aplicação geral e fiz os exercícios... durante uma semana.

Não muito longe do livro sobre abdominais está uma série de fitas cassete sobre leitura dinâmica. Essa compra foi ideia de Denalyn, mas quando li o anúncio fiquei igualmente entusiasmado. O curso promete fazer por minha mente o que o livro sobre o poder dos abominais prometeu fazer por meu estômago - torná-lo como aço. A contracapa promete que ao concluir a série de seis semanas, a pessoa estará apta a ler duas vezes mais rapidamente, retendo o dobro de informações. Tudo o que se tem a fazer é ouvir as fitas - o que pretendo fazer... algum dia.

Não me entenda mal. Nem todas as coisas em minha vida são incompletas. Confesso, porém, que nem sempre concluo aquilo que começo. E certamente não sou o único. Há algum projeto não concluído sob seu telhado? Quem sabe um aparelho para fazer exercícios, cuja função há muito tempo tem sido servir para pendurar toalhas? Ou um curso, ainda em aberto, de artesanato, do tipo "faça você mesmo"? Que tal aquela cobertura não concluída no quintal, ou ainda uma piscina só meio escavada, ou um jardim mal acabado? E não vamos sequer tocar no tópico das dietas e perda de peso, certo?

Você sabe tão bem quanto eu: uma coisa é começar algo, outra totalmente diferente é concluí-la. Talvez pense que lhe falarei da importância de concluir todas as coisas. Pode ser que você esteja amarrando-se a si mesmo para receber uma punição da minha parte. Se for o caso, relaxe. "Não comece aquilo que não será capaz de terminar" não é um dos meus tópicos. E também não vou dizer nada sobre o que é usado para pavimentar a estrada que leva ao inferno. Para ser honesto, não creio que deva concluir tudo o que começo.(Todo estudante com lição de casa ficou agora animado.)

Existem certas coisas que é melhor ficarem por concluir, e alguns projetos deveriam sabiamente ser abandonados.(Embora eu não inclua as lições de casa como uma delas.)
É possível nos tornarmos tão obcecados por concluir as coisas que nos tornemos cegos quanto à eficácia delas. O simples fato de haver um projeto sobre a mesa não significa que este não possa ser devolvido à prateleira. Não, meu desejo não é convencê-lo a concluir todas as coisas. O meu anseio é encorajá-lo a concluir aquilo que precisa ser concluído. Certos projetos são opcionais - como a prancha abdominal e a leitura dinâmica. Outras corridas são essenciais - como a corrida da fé. Considere a seguinte a seguinte admoestação do autor de Hebreus: "Corramos com paciência a carreira que nos está proposta" Hb 12.1

A carreira do cristão não é um exercício físico, mas sim uma árdua, exaustiva e, algumas vezes, agonizante carreira. Ela requer um esforço maciço para que o corredor vá até o fim e, ao término, ainda esteja forte. É provável que você já tenha percebido que muitos não a concluem assim. É certo que já tenha observado que existem muitos que vão ao lado da pista. Eles costumavam correr. Houve ocasiões em que estavam na dianteira. Mas então o cansaço chegou. Não pensavam que a carreira seria tão dura. Ou foram desencorajados por algum baque ou por se assustarem com algum outro corredor. Sejam qual for o motivo, não correm mais. A menos que algo mude, o melhor trabalho dessas pessoas terá sido o seu primeiro trabalho, e terminarão se lamuriando.

Em contraste, o melhor trabalho de Jesus foi o seu trabalho final, e seu passo mais firme foi o último. Nosso Mestre é o clássico exemplo de alguém que resistiu. "Suportou tais contradições dos pecadores contra si mesmo". A bíblia diz que Jesus "suportou", e isto implica que Jesus poderia ter abandonado. O maratonista poderia ter desistido, se sentado, ido para casa. Ele poderia ter abandonado a carreira. Mas não o fez. Ele suportou .

Num mundo cuja atenção está voltada para coisas como o poder dos abdominais e leitura dinâmica, tomaremos assento em nosso lugar à mesa. Numa hora que jamais terá fim, repousaremos. Rodeados por santos e transformados à semelhança do próprio Jesus, o trabalho estará realmente concluído. A colheita final terá sido feita, estaremos assentados, e Cristo iniciará o jantar dizendo as seguintes palavras: "Bem está, bom e fiel servo" Mt 25.23.
E naquele momento, veremos que a carreira foi compensadora.


Simplesmente como Jesus (Max Lucado)

Um coração faminto para adorar



Pessoas em um avião e pessoas sentadas em um banco de igreja têm muito em comum. Ambas estão em uma viagem. A  maioria é bem comportada e apresentável. Algumas cochilam e outras fixam o seu olhar na paisagem através das janelas. A maioria, senão todas elas, ficam satisfeitas com a experiência. Para muitas, as características de um bom voo, bem como as características de uma boa reunião de adoração significam a mesma coisa. "Bom", gostamos de dizer. "Foi um bom voo/Foi um bom culto de adoração". Saímos da mesma maneira que entramos, e estamos felizes por poder voltar numa próxima vez.

Poucos, contudo, não estão contentes com o simplesmente bom. Anseiam por algo mais. O menino que passou por mim era assim. Eu o ouvi antes de vê-lo. Eu já estava em minha poltrona quando perguntou:"Será que realmente me deixarão falar com o piloto?" Ele era sortudo ou esperto, porque fez este pedido assim que entrou no avião. A pergunta flutuou até a cabine, fazendo com que o piloto se inclinasse.
"Tem alguém procurando por mim?", perguntou.
O menino levantou rapidamente a sua mão, como se estivesse respondendo uma pergunta de sua professora do sexto ano: "Sou eu!"
"Bem, pode entrar".
Com um gesto de aprovação da sua mãe, o menino entrou no mundo dos controles e instrumentos da cabine do avião e voltou minutos mais tarde com os olhos arregalados. "Uau!", exclamou.
"Estou tão feliz por estar neste avião!"

A face de ninguém mais demonstrava estar tão maravilhada como a do menino. Se estivesse eu saberia. Prestei atenção. Uma vez que o interesse do garoto atraía a minha atenção, estudei a face dos outros passageiros, porém não encontrei entusiasmo semelhante. O melhor que vi foi satisfação: satisfeitos por estarem no avião, satisfeitos por estarem próximos do seu destino, satisfeitos por estarem fora do aeroporto, satisfeitos por estarem sentados, olhando tudo e falando pouco.

Havia poucas exceções. Cerca de cinco mulheres de meia-idade usando chapéu de palha e carregando bolsas de praia não estavam satisfeita; estavam exuberantes. Sorriam por todo o corredor. Meu palpite é de que eram mãe livres de cozinhas e crianças. Um rapaz de terno azul do outro lado do corredor não estava contente; estava irritado. Abriu o seu laptop e passou toda a viagem com o rosto franzido olhando para a tela. A maioria de nós, contudo, estava mais feliz do que ele e mais contida do que as senhoras. A maioria estava contente. Satisfeita com um voo previsível, sem qualquer fator surpresa. Satisfeita com um bom voo.

E como foi isso que procuramos, foi isso que alcançamos. O menino, por outro lado, queria mais. Queria ver o piloto. Se lhe pedissem para descrever o voo, não diria "bom". Certamente mostraria as asas de plástico que o piloto lhe deu de presente e diria:"Vi o homem lá da frente".

Você compreende porque digo que pessoas em um avião e pessoas sentadas em um banco de igreja tem muito em comum? Entre no santuário de uma igreja e olhe para a face das pessoas. Poucas estão exuberantes, algumas estão irritadas, mas a maioria está satisfeita. Satisfeita por estar ali. Satisfeita por sentar-se, olhar diretamente para a frente e ir embora quando o culto termina. Satisfeita por participar  de uma reunião sem surpresas ou turbulências. Satisfeita por ter um culto "agradável". "Buscai e encontreis", prometeu Jesus. E como o que buscamos é apenas um culto agradável, isto é o que usualmente encontramos.

Poucos, contudo, buscam mais. Poucos vêm com o entusiasmo infantil do menino. E esses poucos voltam como ele, com um brilho nos olhos, maravilhados por terem estado na presença do próprio piloto.

Permite que sugira urgentemente que você seja simplesmente como Jesus era? Prepare o seu coração para a adoração. Deixe que Deus mude o seu semblante através da adoração. Demonstre o poder da adoração. Acima de tudo, busque a face do piloto. O menino fez isso. Porque buscou o piloto, saiu com o rosto mudado e um par de asas. O mesmo poderá acontecer com você.


Simplesmente como Jesus de Max Lucado