Alguém perguntou ao Claude

 




ALGUÉM PERGUNTOU AO CLAUDE


Qual seria o hábito diário não convencional para se tornar implacável, e a resposta foi brutal.


Pergunta: Se você fosse humano, qual seria o seu hábito diário não convencional para ser o mais implacável possível e garantir que alcançasse seus objetivos?


Resposta:

    Se eu fosse humano, meu hábito diário não convencional seria escrever meu próprio obituário todas as manhãs — não a versão polida e elogiosa, mas a versão honesta, baseada em como eu realmente vivi as últimas 24 horas.

    A maioria das pessoas só encara a mortalidade de forma abstrata ou durante momentos de crise. Mas obrigar-me a redigir, todos os dias, algumas frases brutalmente sinceras, como:

    “Aqui jaz alguém que passou duas horas rolando a tela do celular e chamou isso de pesquisa.”

    Criaria um ciclo de feedback implacável que nenhum aplicativo de produtividade ou frase motivacional conseguiria igualar.

    O desconforto de ler repetidamente uma descrição honesta da distância entre quem eu digo que sou e quem minhas ações demonstram que sou acabaria corroendo minhas racionalizações. Não haveria espaço para autoengano.

    Com o tempo, eu não estaria mais otimizando minha vida para me sentir produtivo. Eu a estaria otimizando para que, ao escrever aquele obituário na manhã seguinte, eu tivesse algo digno de registrar.


A maioria das pessoas acompanha metas, hábitos e resultados. Eu acompanharia legado.


    Porque, quando você é forçado a encarar diariamente a história que está escrevendo com suas ações, torna-se muito mais difícil desperdiçar um dia fingindo que terá tempo infinito para compensar depois.

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Sinal, Ruído e a Arte de Construir um Legado


    A ideia de escrever o próprio obituário todas as manhãs é, em essência, um mecanismo para separar sinal de ruído.

    Na teoria da informação, sinal é aquilo que carrega a mensagem relevante; ruído é tudo aquilo que interfere, distrai ou degrada essa mensagem. A mesma lógica se aplica à vida. O sinal é aquilo que efetivamente nos aproxima de nossos objetivos. O ruído é tudo o que consome tempo, energia e atenção sem produzir progresso proporcional.

    O problema é que o ruído frequentemente se disfarça de produtividade. Reuniões desnecessárias, consumo excessivo de conteúdo, discussões estéreis, redes sociais, preocupações hipotéticas e até mesmo planejamento em excesso podem criar a sensação de avanço sem que exista avanço real. Ao final do dia, a pergunta fundamental permanece: “O que eu fiz que realmente moveu a agulha?”

    É nesse ponto que o exercício do obituário diário se torna poderoso. Ele força uma auditoria brutal da realidade. Quando imaginamos como as últimas 24 horas seriam resumidas por um observador imparcial, as justificativas desaparecem. Resta apenas o sinal.

    Grandes realizadores frequentemente demonstram uma obsessão quase patológica por aumentar a proporção de sinal em suas vidas. Steve Jobs talvez fosse um exemplo de alguém que operava com 80% de sinal. Sua capacidade de eliminar funcionalidades, projetos, produtos e até oportunidades promissoras para concentrar recursos no que realmente importava tornou-se uma das características centrais da cultura da Apple. Sua genialidade não estava apenas em decidir o que fazer, mas principalmente em decidir o que ignorar.

    Já Elon Musk parece operar em uma proporção ainda mais extrema. Independentemente das opiniões sobre sua personalidade ou estilo de liderança, é difícil ignorar sua capacidade de concentrar atenção quase exclusivamente em problemas de alta alavancagem: foguetes reutilizáveis, veículos elétricos, inteligência artificial, infraestrutura energética e interfaces cérebro-máquina. Seu comportamento sugere uma busca constante por reduzir ruídos e direcionar energia para poucas variáveis capazes de produzir resultados extraordinários.

    A realização de metas raramente depende de motivação permanente. Ela depende da capacidade de identificar, repetidamente, o que é sinal e eliminar o restante. Uma pessoa que dedica duas horas por dia ao sinal e oito horas ao ruído dificilmente alcançará resultados excepcionais. Outra que dedica oito horas ao sinal e duas ao ruído produzirá uma trajetória completamente diferente, mesmo possuindo talento semelhante.


    No fim, sucesso não é apenas uma questão de trabalhar mais. É uma questão de aumentar a razão entre sinal e ruído. O obituário diário é apenas uma ferramenta para revelar essa proporção. Afinal, o legado de uma vida não é construído pelo que pretendíamos fazer, mas pela soma das ações que repetimos todos os dias.

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     Conclusão - O Sinal que Realmente Importa


    Existe um risco silencioso na busca por metas: confundir aquilo que é mensurável com aquilo que é verdadeiramente importante.

    É fácil identificar o sinal quando falamos de negócios, carreira ou patrimônio. O faturamento cresce, os projetos são concluídos, os investimentos se acumulam e os indicadores apontam progresso. Porém, algumas das dimensões mais importantes da vida não aparecem em planilhas, dashboards ou relatórios de desempenho.

    Ninguém chega ao fim da vida desejando ter participado de mais reuniões, respondido mais e-mails ou acumulado mais objetos. As perguntas mais profundas são outras: fui um bom pai, mãe, filho, amigo ou cônjuge? Tornei a vida das pessoas ao meu redor melhor? Minha presença trouxe paz, esperança e crescimento para minha comunidadeu? Cultivei minha alma com a mesma dedicação com que cultivei minha carreira?

    Paradoxalmente, essas áreas costumam ser tratadas como secundárias justamente porque seus resultados são lentos e invisíveis. Uma conversa atenta com um filho não produz um gráfico ascendente. Uma visita a um familiar não gera uma promoção. Uma oração, uma meditação ou um momento de reflexão não aparecem em um relatório mensal. Entretanto, são esses pequenos investimentos invisíveis que, ao longo das décadas, constroem os relacionamentos, o caráter e a serenidade que sustentam uma vida plena.

    

Sob essa perspectiva, o verdadeiro sinal não é apenas aquilo que produz resultados externos. É aquilo que produz significado.

    O sinal está no tempo dedicado à família quando seria mais fácil continuar trabalhando. Está na coragem de cuidar da saúde mental antes que o esgotamento cobre seu preço. Está na disciplina de cuidar do corpo que nos foi confiado. Está na busca por crescimento espiritual, que oferece direção quando o sucesso material, por si só, deixa de responder às grandes perguntas da existência.

    Muitas pessoas passam a vida inteira escalando uma montanha para descobrir, no topo, que ela estava apoiada na parede errada. Obtiveram sucesso, mas perderam relacionamentos. Construíram riqueza, mas não construíram paz. Conquistaram reconhecimento, mas não encontraram propósito.

    O verdadeiro desafio não é eliminar todo o ruído da vida, mas identificar corretamente qual é o sinal. E talvez o sinal mais importante seja lembrar que a realização não consiste apenas em alcançar objetivos, mas em se tornar alguém cuja presença melhora a vida dos outros.

    Porque, no fim, o valor de uma vida não será medido apenas pelo que acumulamos, mas pelo que deixamos. Não apenas pelos projetos que concluímos, mas pelas pessoas que amamos. Não apenas pelas metas que atingimos, mas pela influência positiva que exercemos sobre nossa família, nossa comunidade e as gerações que virão depois de nós.

    Afinal, de que vale conquistar o mundo inteiro se, durante a jornada, perdermos aquilo que tornava a conquista digna de ser alcançada?


Uanderson Oliveira

Grão de Mostarda


 

Já ouviram falar da parábola do grão de mostarda? Vou contar aqui rapidinho pois gosto demais.

"O Reino do Céu é como uma semente de mostarda, que um homem pega e semeia na sua terra.Ela é a menor de todas as sementes; mas, quando cresce, torna-se a maior de todas as plantas. Ela até chega a ser uma árvore, de modo que os passarinhos vêm e fazem ninhos nos seus ramos.” Mateus 13:32

Assim como julgamos um livro pela capa, julgaríamos o tamanho de uma árvore pela sua semente, com muita facilidade.

Só que quando Deus está no jogo, uma coisa muito pequena, muito simples, pode tomar proporções que nem conseguimos imaginar.

Pense no exemplo de Jesus. O messias esperado que veio de uma vila insignificante, filho de uma mulher simples, e nasceu em uma manjedoura, lugar de animais. Não me parece algo muito grandioso para uma história contada até os dias atuais.

Estavam esperando um poderoso rei que destituiria Roma tendo grande influência e poder. Ele nem tinha casa pra morar e ainda dizia que o reino dele não era desse mundo. De fato não é!

Nesse reino, a matemática é diferente.

Lembram da multidão faminta que Jesus alimentou com cinco pães e dois peixes? Foram cinco mil homens! Que matemática é essa?

Imagine a cena. Você andando na rua se depara com mil pessoas famintas. Lembra que tem um saco de biscoito na bolsa. Pensaria na possibilidade de alimentá-las assim? Eu acho que nem cogitaria. A matemática não fecha.

Coragem e fé. Dois ingredientes necessários!

Achamos que precisamos de três mil pães e dois mil peixes para pensar na possibilidade de alimentar cinco mil pessoas.

”Eu asseguro que, se vocês tiverem fé do tamanho de um grão de mostarda, poderão dizer a este monte: 'Vá daqui para lá', e ele irá. Nada será impossível para vocês.” Mt 17:20

Deus tem abundância para nós! E não precisamos ter as “quantidades” exatas. Precisamos de fé, pequena que seja.

A matemática de Deus é assim: uma oração de algumas palavras pode curar uma vida. Uma oferta de alguns reais pode alimentar uma família. Cinco minutos com minha filha podem ficar registrado na mente dela como os melhores da vida. Um simples abraço pode transformar a vida de alguém. Uma palavra de ânimo pode trazer à vida uma pessoa sem esperança.

Já parou para pensar quão grandes coisas Deus pode fazer através da sua vida? Deixe ele te usar. Ou você acha que precisar ser alguém influente, cheia de habilidades ou com muitos recursos?

Que nossa fé seja como um grão de mostarda. Pequenas aos nossos olhos, mas grandiosas aos olhos de Deus. Pássaros virão se abrigar em nossos ramos. Seremos lugar de vida, repouso e multiplicação.

Não desista. Não desanime. A situação está caótica? Tenha fé, que nada será impossível.


Revolução Laranja



Do livro: Para que Serve Deus - Em busca da verdadeira fé. 
Philip Yancey

Vocês já ouviram falar da Revolução Laranja que aconteceu na Ucrânia em 2004? Permitam-me contar uma história pouco conhecida sobre os improváveis heróis que ajudaram a desencadear uma revolução. Como outras partes da União Soviética, a Ucrânia caminhou para a democracia após o colapso do império soviético, embora na Ucrânia a democracia avançasse num ritmo  de era glacial. Se vocês acham que nossas eleições são sujas, pensem que quando o reformador ucraniano Victor Yushchenko ousou desafiar o partido no poder ele quase morreu devido a um misterioso envenenamento por dioxina. Contra todos os conselhos, Yushchenko, com o organismo enfraquecido e o rosto definitivamente desfigurado pelo veneno, continuou na disputa eleitoral. No dia da eleição, os resultados da votação o colocavam dez pontos percentuais na frente; todavia por meio de uma fraude evidente, o governo conseguiu reverter os resultados.


O Canal da TV estatal anunciou: "Senhoras e senhores, informamos que o candidato da oposição Victor Yushckenko foi inquestionavelmente derrotado". Todavia, as autoridades governamentais não haviam levado em conta uma característica da televisão ucraniana: a tradução que ela oferece para deficientes auditivos. Na telinha que aparece no canto direito inferior da tela grande uma corajosa mulher, filha de pais surdos-mudos, transmitiu uma mensagem divergente na língua de sinais. "Eu estou me dirigindo a todos os cidadãos surdos da Ucrânia. Não acreditem no que eles (as autoridades) dizem. Estão mentindo, e eu estou envergonhada de traduzir essas mentiras, Yushckenko é nosso presidente!"



Cidadãos surdos, inspirados por sua tradutora Natalya Dmitruk, fizeram a Revolução Laranja. Usando seus celulares, eles enviaram mensagens a seus amigos sobre a fraude eleitoral, e logo outros jornalistas, inspirados pelo gesto desafiador de Dmitruk, criaram coragem e, semelhantemente a ela, se recusaram a transmitir a posição  do governo. Dentro de algumas semanas cerca de um milhão de pessoas vestidas na cor laranja inundaram a capital, Kiev, exigindo novas eleições. O governo finalmente cedeu à pressão, aceitando novas eleições, e dessa vez Yushchenko emergiu como o indiscutível vencedor.

Quando ouvi essa história da Revolução Laranja, a imagem da telinha da verdade no canto da telona tornou-se para mim uma imagem ideal da igreja. Vejam, nós na igreja não controlamos a telona. (Quando o fazemos, geralmente criamos confusão). Procurem uma banca de jornais e revistas ou liguem a televisão, e vocês verão uma mensagem consistente. O que importa é a beleza que se exibe, quanto dinheiro ou poder se tem. Capas de revistas apresentam supermodelos esculturais e belos garotões, apenas de pouca gente ter esse visual. Os pais conhecem o impacto devastador que a mensagem da telona exerce sobre um filho adolescente sem atrativos.

De modo semelhante, embora o mundo inclua muitos pobres, eles quase nunca chegam às capas de revistas ou ao noticiários. Em vez disso, enfocamos os supermilionários ou celebridades. Vivemos numa sociedade distorcida que nos entope de mensagens de que o valor da pessoa depende da aparência, ou da renda, ou do acesso ao poder.

Nossa sociedade não é de fato única. Ao longo da historia as nações sempre glorificaram os vencedores, não os perdedores. Então, como a tradutora da língua de sinais no canto inferior da tela, eis que aparece uma pessoa chamada Jesus, que com efeito diz: Não acreditem na telona - eles mentem. Os pobres é que são abençoados, não os ricos. Os que choram são abençoados também, assim como os que têm fome e sede, e os perseguidos. Os que passam a vida pensando que estão no topo do mundo  terminarão no fundo do buraco. E os que a passam achando que estão no fundo do buraco acabarão no topo. No fim das contas, que aproveita ao homem ganhar o mundo inteiro e perder a sua alma?

A receita para uma boa saúde, individual ou social, exige que se dê atenção à mensagem oposta que aparece na telinha.
Como opositores vestidos de cor laranja reunidos na praça de Kiev, podemos nos recusar a crer nas mentiras divulgadas na "telona". Podemos insistir em que o valor de alguém não é determinado por sua aparência, ou sua renda, ou sua etnia, ou mesmo sua posição social, mas é antes uma dádiva sagrada e inviolável de Deus. E essa compaixão e justiça - nossa preocupação com estes "meus menores irmãos", nas palavras de Jesus - não são valores arbitrários determinados por políticos e sociólogos, mas mandamentos santos provenientes daquele que nos criou.




Solidão



Hoje a tarde, depois que meu filho acordou, sentei a mesa e preparei seu lanche. Enquanto vivia o momento, com silêncio de fundo, lembrei de uma época onde duas coisas reinaram na minha vida: solitude e solidão. 

Só para não confundir ninguém, vou diferenciar uma coisa da outra. Solidão é um sentimento no qual uma pessoa sente uma profunda sensação de vazio e isolamento. Seus sentimentos precisam de algo novo que as transforme. Já a solitude, é o estado de privacidade de uma pessoa e nem sempre significa solidão (fonte wikipedia)

Já tiveram isso?

Faz tempo, foi em 2003. Aconteceu quando fui morar em outro país. Cheguei lá no outono, já chegando o inverno. Não imaginava que teria essas duas amigas me aguardando. Poderia chamar de inimigas, mas não vou chamá-las assim porque elas me ensinaram e ensinam muito.

Só para entenderam a situação, meu marido passava o dia estudando e trabalhando e minha filha na época com dez meses ficava comigo. 

Quando ela dormia, o silencio reinava. Sem TV, computador ou qualquer outra coisa para me distrair eu simplesmente não sabia o que fazer. Nosso bairro era muito tranquilo. Nenhum barulho do lado de fora. Inverno. Ninguém na rua. Como me ocupar?

Por várias vezes eu sentava na minha cama e o silêncio reinava. 
Como me incomodava! Como o barulho nos distrai. Como é difícil não ouvi-lo. 

Como foi difícil ter apenas a opção de ouvir meus pensamentos. Eles nem sempre eram bons. Nem sempre felizes. Nem sempre animadores.
Muitas vezes tristes e confusos.

Foi nessa época que comecei a escrever. 

Achava que precisava colocar em palavras o que sentia. Foi cada situação inusitada, tanta experiência única. Quem acompanhou o boletim JAM (Júlio, Allegra, Mel) na época lembra. 

Mandava e-mail com cópia para todo mundo. 

Pode parecer bem clichê mas nessa época entendi e aprendi que nunca estava sozinha. 

Nos seis primeiros meses eu chorei. Ouvia músicas dramáticas, ficava em casa boa parte do tempo. Sair de casa com temperatura abaixo de zero não era prazeroso.

Um belo dia eu cansei. 
Cansei da choradeira.Chega! 


Troquei as músicas. Troquei os pensamentos. Como fez diferença!

O silêncio é uma escola. Parar para se ouvir é uma arte. Conseguir administrar seus pensamentos de maneira construtiva é uma vitória.

Foi uma batalha na época e não tenho dúvida que muitas outras estão por vir. Que venham!

Sei bem o poder dos pensamentos.

"... tudo o que é verdadeiro, tudo o que é respeitável, tudo o que é justo, tudo o que é puro, tudo o que é amável, tudo o que é de boa fama, se alguma virtude há e se algum louvor existe, seja isso o que ocupe o vosso pensamento." Fl 4:8


Mel 









Tudo tem seu tempo



Acordei de madrugada pensando nesse texto que está em Eclesiastes:


Tudo tem o seu tempo determinado, e há tempo para todo o propósito debaixo do céu.
Tempo de nascer, e tempo de morrer;
Tempo de plantar, e tempo de arrancar o que se plantou;
Tempo de matar, e tempo de curar; tempo de derrubar, e tempo de edificar;
Tempo de chorar, e tempo de rir; tempo de prantear, e tempo de dançar;
Tempo de espalhar pedras, e tempo de ajuntar pedras; tempo de abraçar, e Tempo de afastar-se de abraçar;
Tempo de buscar, e tempo de perder; tempo de guardar, e tempo de lançar fora;
Tempo de rasgar, e tempo de coser; tempo de estar calado, e tempo de falar;
Tempo de amar, e tempo de odiar; tempo de guerra, e tempo de paz.

______

Salomão escreveu esse texto acredito eu,  no meio de uma grande crise existencial.

Ele começa dizendo: "Vaidade de vaidades... Tudo é vaidade!" Que proveito tem o homem, de todo o seu trabalho, que faz debaixo do sol? 


Ele continua fazendo sua análise inclusive do vento. "O vento vai para o sol, e faz o seu giro para o norte; continuamente vai girando vento, e volta fazendo os seus circuitos".

Salomão buscou no seu coração como estimular com vinho sua carne, fez obras magnificas, plantou vinhas, fez hortas e jardins, árvores de toda a espécie de fruto. Amontoou prata e ouro, tesouros, proveu-se de cantores e tudo quanto desejaram seus olhos não negou. Nem privou seu coração de alegria alguma.

No final do livro ele diz: "Por isso odiei esta vida, porque a obra que se faz debaixo do sol me era penosa; sim, tudo é vaidade e aflição de espírito".


Salomão continua:

"Melhor é a boa fama do que o melhor unguento, 
o dia da morte do que o dia do nascimento de alguém. "

"O coração dos sábios está na casa do luto, 
mas o coração dos tolos na casa da alegria".
"Nunca digas: Por que foram os dias passados melhores do que estes? 
Porque não provém da sabedoria esta pergunta".

"Porem, se o homem viver muitos anos, e em todos eles se alegram, também se deve lembrar dos dias da trevas, porque hão de ser muitos. Tudo quanto sucede é vaidade."

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Salomão se notabilizou pela sua grande sabedoria, prosperidade e riquezas abundantes, bem como um longo reinado próspero, mas em um momento de sua vida questionou tudo. Chegar a dizer que é melhor o dia da morte do que o nascimento de alguém não é algo que ouvimos por aí de uma pessoa muito animada com a vida.


Nossa vida não é uma constante de emoções. Não sentimos as mesmas coisas sempre. Não estamos sempre felizes e contentes. Temos dias de alegria e tristeza. Temos dia de cansaço extremo e outros de muita disposição. É normal! Acontece! A vida é assim. Há dias de choro e dias de alegria.


"Meus irmãos, sintam-se felizes quando passarem por todo tipo de aflições. Pois vocês sabem que, quando a sua fé vence essas provações, ela produz perseverança. Que essa perseverança seja perfeita a fim de que vocês sejam maduros e corretos, não falhando em nada! mas, se alguém tem falta de sabedoria, peça a Deus, e ele a dará porque é generoso e dá com bondade a todos."


Que nossa fé em Deus, nos dê força para viver um dia depois do outro. Que tenhamos a capacidade de olhar para as aflições e ter a capacidade de entender que vai passar e nisso nos sentir felizes.



Salomão escreve em Provérbios e termino aqui:


"Confie no Senhor de todo o coração e não se apoie na sua própria inteligência. Lembre de Deus em tudo o que fizer, e ele lhe mostrará o caminho certo. Não fique pensando que você é sábio; tema o Senhor e não faça nada que seja errado. Pois isso será como um bom remédio para curar as suas feridas e aliviar os seus sofrimentos" Pv 3:5







Relação Igreja x Estado - Parte 2

Continuação do Post 1....

Relação Igreja x Estado - 1


Conselhos de Francis Schaeffer

Para escrever um artigo na revista "Cristianismo Hoje", passei dias entrevistando o filósofo e pastor Francis Schaeffer. Nos seus últimos dias de vida, muito de sua energia foi depositada discutindo a questão da função da igreja na sociedade.

Foi ele quem levou os evangélicos de volta a área política na década de 80. Chegou a ser preso em protestos na rua contra aborto, eutanásia e infanticídio. 
Mesmo assim, sempre deixou claro que não poderíamos confundir o reino deste mundo com o reino de Deus.

Schaeffer morou na Europa por décadas e conheceu o resultado da sedução e fracasso da abordagem de Neuhbur de “Cristo acima da Cultura” – religião imposta a todos. Apesar da igreja ter tido poder por séculos, atualmente igrejas na Europa são museus, lotadas de turistas. 

Igreja que vive de poder, morre por poder, ele concluiu.

Nossa conversa ficou girando em torno desses aspectos, especialmente devido ao fato da igreja dos EUA ter ganhado proeminência na mídia e corredores do poder.

A fé cristã nunca deve ser imposta pelo estado, ele disse. Leis devem ser feitas sim por valores cristãos que vem de Deus como: paz, respeito pela vida, justiça racial, econômica e do meio ambiente.

Schaeffer escreveu um livro “A Marca do Cristão” para lembrar a igreja que nosso primeiro chamado é mostrar amor, dispensar graça. 



Como cristãos em uma sociedade tão diversa devem responder a questões morais? Devemos focar em nossa própria moral e deixar a moral da sociedade aos políticos seculares? Ou podemos desempenhar papel civil que ajude a guiar a cultura do mundo?  

Lesslie Newbigin questionou: "Pode aquele que segue a cruz sentar na cadeira de Pilatos quando esta estiver vaga?”.

Melhor do que propor um simples caminho, farei uma serie de observações e sugestões para que cristãos considerem desempenhar em um mundo que não necessariamente compartilha nosso ponto de vista.

Cinco conclusões:

1. Confronto entre cristãos e cultura são inevitáveis

John H. Yoder registrou cinquenta e uma vezes em que Jesus confrontou a injustiça, e durante a história muito de seus seguidores fizeram o mesmo. Os primeiros cristãos foram instrumentos para extinguir práticas cruéis como jogos de gladiadores e infanticídio. Tempos depois levantaram campanhas contra abusos incluindo a escravidão. 

Grupos menores como os Anabatistas, conhecidos por serem isolados, mas que precisavam se relacionar com a sociedade de alguma forma, ficaram conhecidos inicialmente pelo seu pacifismo, tornando-se então padrão de comportamento na sociedade da época.

A igreja precisa discernir qual injustiça deve ser enfrentada. 

A omissão é muito ruim tanto para a igreja como para o estado. Com uma fé individualista, sem nenhuma confrontação com o estado, os líderes da igreja Alemã, por exemplo, demoraram muito para protestar contra as atrocidades cometidas por Hitler. Ao invés disso, muitos protestantes deram boas vidas ao Nazistas como alternativa ao Comunismo e cristãos adotaram o seguinte jargão que hoje em dia parece impensável: “A suástica no peito, a cruz nos corações”.

Eventualmente uma minoria percebeu a ameaça. Martin Niemoller, que passou sete anos em um campo de concentração sendo executado em outro,  publicou uma série de sermões cujo tema era: “Cristo e não Hitler é o meu Fuher”. No final das contas, o único grupo significante que se opôs a Hitler dentro da Alemanha era formado de cristãos fieis. Tanto as empresas, parlamento, políticos, doutores, cientistas, professores universitários, advogados – todos se renderam ao regime.  Somente os cristãos que foram leais a Deus acima de tudo, resistiram. De 1933 a 1937, o jornal New York Times publicou centenas de reportagens sobre as dificuldades da Igreja na Alemanha.

No final da guerra, parte da Alemanha se achou sob o domínio da União Soviética. Entrevistei há alguns anos um pastor que relatou a dificuldade da igreja na época frente ao comunismo. Seus filhos tiveram poucas oportunidades de estudo e ele teve que exercer péssimos tipos de trabalho. “Depois da queda do muro, tudo mudou”, frase que ouço muito. Vivendo sobre o Nazismo e depois Comunismo, cristãos rapidamente se posicionaram num vácuo cultural para ajudar a sociedade agora livre, a fundar as bases da moralidade e estrutura legal. Eles sabem muito bem o que pode acontecer quando cristãos são excluídos da esfera pública. 

Trazer à tona assuntos morais em uma democracia requer persuasão, diálogo e compromisso.

Democracia requerer que direitos de outras pessoas sejam reconhecidos mesmo que eu não concorde com eles. Requerer civilidade e respeito quando alguém defende suas ideias e pensamentos sem querer coagir outros. 

Por esse motivo a democracia moderna cresceu fora do solo cristão pois nem todos os direitos e pensamentos da sociedade estão em concordância com os valores de Deus. Precisamos exercitar a habilidade de um cirurgião ao decidir qual princípio moral se aplica para a sociedade como um todo e como melhor lutar por isso.

Nesse confronto de culturas, qual injustiça deve ser enfrentada?

2. Cristãos devem escolher suas batalhas com sabedoria. 
  
   
    Criação de Partido 



    Nos anos 1840 e 50 uma grande campanha chamada movimento "Não sei de Nada" (know-Nothing) demonizou católicos e criou grande histeria sobre eles. Começou como uma reação popular ao medo de que as grandes cidades estivessem sendo inundadas pelos imigrantes católicos irlandeses a quem consideravam hostis aos valores americanos e controlados pelo Papa em Roma. A origem da expressão "Não sei de Nada" era a organização semi-secreta do partido. Quando um membro era inquirido sobre suas atividades, ele respondia: "Não sei de nada".

    O historiador Mark Noll escreveu sobre isso em 1844 quando um bispo quis utilizar a versão católica da bíblia em suas escolas ao invés da versão King James. Alguns, revoltados, queimaram várias igrejas católicas e mataram dezenas de pessoas. 


    Em 1960 a Associação Nacional de Evangélicos recomendou a todos os líderes que alertassem seus liderados sobre a ameaça que seria um possível presidente católico – John Kennedy.

     Criação da Lei Seca



     A linha de frente da campanha moral pelas igrejas foi a “Lei Seca” (Prohibittion Era) no período de 1920 e 1933 durante o qual a fabricação, transporte e venda de bebidas alcoólicas para consumo foram banidas nacionalmente.

    Foi feita uma a intensa campanha de educação, organização e lobby apresentando ao público as graves consequências do uso do álcool: piora na saúde, diminuição na expectativa de vida, desestrutura familiar e decadência da sociedade.

A maioria dos estados americanos obedeceu à lei seca o que foi uma grande vitória para os evangélicos, sucesso na campanha da moralidade americana.  Por cinco anos a nação agiu em concordância com a lei. Então a campanha “se beber não dirija” surgiu novamente junto com passeatas contra a lei, corrupção política e o crime organizado. A lei era muito rígida, diziam alguns, e acabou prejudicando outros grupos religiosos que eram contra a proibição. 

    O historiador e juiz Paul Johnson disse: "O que parecia uma grande vitória para os americanos evangélicos se tornou grande derrota".  

    Essa derrota foi o que, na época, levou protestantes para fora da arena política. Apenas no século XX foi quando eles retornaram em grande escala.

    Conclusão. No primeiro caso, um partido político proeminente protestante foi criado para reagir ao crescimento de imigrantes católicos. E no segundo caso, com intenção de moralizar a cultura americana, criou-se lei proibindo o consumo de bebida alcoólica o que acabou criando grande esquema de tráfico e crime organizado com a venda ilegal de bebidas. Época do El Capone em Chicago. 

    Quanto mais focamos em assuntos secundários, menos efetivos seremos em  trazer o real significado da moralidade cristã em uma sociedade.

    Quais batalhas escolher?

    Ouço pouco dos evangélicos sobre impacto da proliferação das armas em crimes violentos, muito menos em desarmamento nuclear. Ouço quase nada sobre planos de saúde para os pobres e proteção das viúvas e órfãos, ambos mandamentos bíblicos. Sem contar trinta milhões de crianças que morrem pelo mundo por mal nutrição por ano. Ouço pouco sobre aquecimento global, algo visto com seriedade pela maioria dos cientistas. 
  
Ouço sim, sobre valores da família, mas quando o governo propõe leis para os mais desfavorecidos ou discriminados, grupos conservadores religiosos se opõem. 
    
    Geralmente, a agenda dos religiosos conservadores estão mais alinhada  com a agenda dos políticos conservadores do que com as prioridades bíblicas. 

    Muito do que a sociedade tem criticado sobre cristãos se envolvendo com política pode ser observado quando se olha para trás e se observa as batalhas escolhidas para se lutar e a omissão em assuntos tão mais importantes.

   3. Cristãos devem lutar suas batalhas com astúcia

    Em uma ocasião, um engenheiro que trabalhava para o um canal cristão usou um equipamento de transmissão satélite para interromper o canal da Playboy com a seguinte mensagem: “Assim diz o Senhor: Lembre-se do sábado. Arrependei-vos, pois, o Reino de Deus está próximo”. Mais tarde ele foi condenado para um júri. Seu chefe, Pat Robertson, já tinha feito vários comentários polêmicos durante o ano incluindo uma famosa observação sobre Direitos Humanos: “A agenda feminista não é sobre direitos iguais para mulheres. É sobre socialismo, movimento anti-família que encoraja mulheres a largarem seus maridos, matarem seus filhos, praticar bruxaria, destruir o capitalismo e tornarem-se lésbicas.”

    Ganhar a atenção da sociedade tão cética exigirá muita cautela e trabalho duro. Precisamos, segundo disse Jesus, ser sábios como as serpentes e simples como as pombas.

    Enquanto isso, fora dos holofotes, cristãos tem encontrado maneiras muito criativas de enfrentar as batalhas morais. Por exemplo, “Prision Fellowship” tem tido sucesso em cuidar de presos (outro bíblico mandamento) chegando ao ponto de governos de vários estados entregarem a eles o cuidado de várias outras prisões.



    Outra organização “International Justice Mission”, aborda a questão do tráfico sexual internacional trabalhando com autoridades locais.



    Nos anos de 1960 Martin L. King Jr. Elaborou uma criativa estratégia para mobilizar pessoas que vem sendo utilizada em diversas causas. Ele uniu o poder do amor descrito no Sermão da Montanha e o método de Gandhi de resistência sem violência. Gandhi mostrou a ele que o movimento em benefício de uma causa moral pode ser expressa de maneira amorosa. “Vim perceber que esse era a único método para alcançar pessoas opressas lutando por liberdade”.

    Em recentes táticas, cristãos protestantes têm se unido formando alianças com católicos, judeus e muçulmanos a respeito de alguns pontos. Todos esses grupos acreditam em um Deus que revelou princípios morais os quais devemos viver sendo que cada grupo tem algo a contribuir. Mesmo o auto intitulado fundamentalistas Tim LaHaye concorda que: “Temos mais em comum uns com os outros do que as pessoas seculares nesse pais.” 

    Tem sido comum ver rabinos ortodoxos, padres, e pastores dando os braços em protesto do lado de fora das clínicas de aborto.

    Cinquenta evangélicos e católicos formaram uma aliança com cinquenta judeus para identificar áreas de mutuo consentimento: reforma no processo de adoção, reforma nas leis do divórcio, oposição ao sexo e violência gratuitos, caráter educacional nas escolas.

    São os rabinos que tem levantado os mais altos alarmes sobre o futuro de uma sociedade puramente secular. O Rabino Joshua Haberman escreveu um artigo na Policy Reviwe intitulado “O cinturão da bíblia é a cinto da salvação da América” onde ele, sobrevivente de Hitler diz: Como judeu, tenho divergências com cristão sobre teologia, nossa agenda social da nação e políticas públicas. Sou repelido as vezes por fanatismo e dogmas rígidos entre fundamentalistas extremistas. No entanto, bem longe dessas diferenças e objeções está a moral comum e padrão espiritual que compartilho com os cristãos, inclusive com os fundamentalistas. A bíblia deu a nossa nação sua visão moral. E atualmente, o cinturão bíblico da América é nosso cinto da salvação, a garantia dos nossos direitos fundamentais e liberdades individuais. 

    Líderes religiosos estão deixando de lado suas diferenças em uma causa comum pois sentem desesperadamente a necessidade de uma moral alinhada com suas visões.

    4. Ao se engajar com a cultura, cristãos devem saber distinguir entre imoral e ilegal
Presidente Clinton tentou fazer essa distinção. Como cristão, ele disse, busquei orientação sobre questões morais na bíblia. No entanto, como presidente dos EUA, eu não poderia propor automaticamente que tudo o que é imoral seja ilegal. Um conhecido colunista dedicou sua coluna inteiramente a atacar a falsa religiosidade de Clinton e sua ética.
E sim Clinton estava certo. “Não Cobiçaras” é um assunto moral que está nos dez mandamentos. Qual governo pode criar uma lei contra a cobiça? Orgulho é um pecado, talvez o pior, mas quem é capaz de torna-lo ilegal?
Jesus resumiu o velho testamento no mandamento, “Ame o Senhor teu Deus de todo o seu coração de toda a tua alma e de todo o seu entendimento”. Qual autoridade humana pode policiar tal mandamento?

Cristãos devem obedecer aos mandamentos de Deus, mas isso não significa necessariamente que devemos transformá-los em leis a serem seguidas por todos. 
Nem mesmo Gênova de Calvino ousou adotar como leis o sermão do monte. Kurt Vonnegut, autor de sátiras, escreveu: “Por alguma razão, os cristãos mais conhecidos entre nós nunca mencionam as boas novas. Ao invés disso – com lagrimas nos olhos – eles exigem que os dez mandamentos sejam exibidos em prédios públicos. Os de Moisés, não os de Jesus. Nunca ouvi falar de alguém exibir o sermão do monte ou as bem-aventuranças, em um lugar público.”

Anos atrás, o juiz da Suprema Corte do Alabama virou manchete nos jornais quando mandou criar um imponente monumento com os Dez Mandamentos. Segundo ele, os mandamentos eram para guiar a criação das leis. 

Como cristão, aceito os Dez Mandamentos como regras dadas por Deus para nossa vida, especialmente porque Jesus as reafirmou (com exceção do sábado). Olhando para a o jornal com a foto do juiz ao lado do monumento, me chamou a atenção o fato de que apenas dois dos dez mandamentos tem alguma implicação legal nos dias de hoje. Os outros oito, mesmo sendo importantes, nenhuma sociedade plural será capaz de transformá-las em leis.


Os assuntos que estão na pauta de discussão entre cristão mudam com o passar do tempo.
Atualmente cristãos debatem sobre os prós e contras dos direitos dos homossexuais e do aborto – questões morais, ambos os lados concordam - e devem realmente serem debatidos. Há algumas décadas o assunto polêmico era o divórcio.
 A bíblia tem muito mais a dizer sobre a santidade do matrimônio e do divórcio do que sobre a homossexualidade. C.S Lewis chocou muitas pessoas na sua época quando se posicionou favorável ao divórcio, época em que os cristãos não tinham direito a impor moralidade na sociedade. Enquanto ele continuou a se opor ao divórcio na esfera moral, ele manteve a distância entre o que é moral e o que é legal.

     5.  Igreja deve com precaução se relacionar com o estado
Edward Gibbon afirmou que na Roma antiga, as religiões eram todas verdadeiras para o povo, todas falsas para os filósofos todas uteis para o governo.

Os evangélicos que deram boas-vindas a Hitler ficaram surpresos quando descobriram que o governo alemão iria agora designar seus líderes religiosos. Logo, todos os pastores tiveram que jurar lealdade a Hitler e a seu governo. 


Na Rússia, Stalin exigiu que a igreja desse acesso total sobre seus direcionamentos, aulas do seminário e sermões. Atualmente na China, o governo comunista paga os salários dos pastores da igreja oficial, maneira de mantê-los sob seu controle.

Instituições x Indivíduos
Jesus deixou mandamento de fazer discípulos de todas as nações. Podemos batizar, ensinar pessoas, mas não o governo, escola ou a justiça. Não temos o mandamento de “cristianizar” os EUA ou qualquer outro pais.

O irmão de Niebuhr’s, Reinhhold, desenhou o contraste entre indivíduos e instituições. Estas não podem expressar amor; no máximo justiça. Mesmo assim, instituições enfrentam constante tentação por orgulho e arrogância que nos deixou com o pior horror da história.

Um dos mais famosos casos na justiça americana é o caso Roe x Wade onde a Suprema Corte dos EUA reconheceu o direito ao aborto.

Jan Roe, foi a responsável por tornar o aborto legal nos EUA quando aos 22 anos, grávida do terceiro filho, queria realizar o aborto. Travou-se uma grande batalha na justiça onde o direito ao aborto foi reconhecido. 

Mais tarde, Norma Leah McCorvey (pseudônimo Jane  Roe)  convertida a Cristo e batizada, juntou-se a campanha pró-vida. Estima-se que 58 milhões de bebês foram abortados nos EUA desde a promulgação da lei.



Impressionante foi a atitude do diretor da "Operação Resgate", que a acompanhou no processo de conversão.Flip Benham abriu um escritório anti-aborto ao lado da clínica de aborto onde ela trabalhava. De inimigos tornaram-se grandes amigos a partir do momento em que o diretor passou a tratá-la como ser humano. Ele se desculpou por publicamente tê-la chamado de “assassina de bebês” e começou a gastar tempo com ela durante os intervalos de seu trabalho. 

Logo as lideranças pró-aborto dispensaram McCorvey devido a seus registros de abuso de drogas, álcool, lesbianismo e estupro – mas os lideres cristãos gastaram tempo em aconselhamento, a mantendo fora das atenções por um bom tempo.

"Ultimamente, Deus é aquele que transforma corações”, disse McCorvey. Uma testemunha cristã é a maior ferramenta para mudança.

Durante a era Brezhnev na Guerra Fria, Billy Graham visitou a Rússia se reunindo com o governo e os líderes da igreja. Conservadores no Ocidente o criticaram duramente por tratar a  Rússia com tanta cortesia e respeito. Ele deveria ter tido uma postura de profeta, disseram, condenando o abuso dos direitos humanos e liberdade religiosa. Um dos críticos disse: “Sr. Graham, o senhor regrediu a igreja em cinquenta anos!”. 

Ele abaixou a cabeça e respondeu: “Estou envergonhado. Tenho tentado com muito esforço fazer a igreja retornar dois mil anos atrás.”


Billy Grahm na guerra fria


Relação Igreja X Estado - Parte 1



O texto desse post foi retirado do livro "Christians and Politics: an uneasy partners" de Philip Yancey escrito na época da eleições americanas em 2012. 

Gostaria de reforçar que o livro foi escrito no contexto americano, mas como poderão perceber a realidade Brasileira não está tão diferente.

Dividi o resumo do livro em dois posts. O primeiro traz um pouco de história e pontos muito importantes para reflexão e o segundo alguns conselhos dados pelo escritor do livro. O link para o segundo está no final deste post.

O livro não trata da questão "cristão na política" e sim a relação Estado x Igreja.


"Sua responsabilidade não é apenas professar os princípios básicos da fé cristã, à luz das escrituras; sua tarefa é comunicar essas verdades imutáveis à geração em que se situa." Francis Schaeffer

Deus abençoe!

Melissa Cruz
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Durante minha infância, política não era assunto discutido nas igrejas em que frequentei. Ao invés disso, a vida de cada membro assim como a vida eterna em Jesus era assunto dominante. Aceitávamos nosso status de minoria, cristãos não envolvidos com política,  até que em 1980 tudo mudou. Deu-se então o início a debates sobre a moral na sociedade americana. 

Compelidos por questões sociais como aborto e direitos dos homossexuais, os cristãos evangélicos se organizaram e se candidataram a cargos políticos.

Surgiu então uma nova estatística: quanto mais proeminentes cristãos se envolviam com políticas, mais negativamente eram vistos pela sociedade. De acordo com pesquisas, apenas 16% de jovens de fora da igreja tem uma impressão positiva sobre o cristianismo e apenas 3% sobre evangélicos.

O que aconteceu que causou tamanha mudança? 

A maioria das pessoas que não frequentam igrejas fazem a seguinte descrição sobre cristãos: são anti-homossexuais, julgadores, hipócritas, muito envolvidos com política, não aceitam outras religiões, ultrapassados. Um entrevistado disse: “A maioria das pessoas que conheço como cristãos são muito conservadores, anti-gays, anti-escolhas e agressivos. Querem converter todos e geralmente tem dificuldade em conviver em paz com alguém que tenha pensamento diferente.”

Jesus nunca instruiu seus seguidores a se preocupar com opinião alheia, mas me pergunto como poderíamos continuar a ser sal e luz em uma sociedade que nos enxerga de maneira tão negativa.


Abordagens de Niebuhr

Como cristãos devem se relacionar com a política em nossa sociedade?

Desde a sua fundação, os EUA defendem a liberdade religiosa como algo fundamental na sociedade.

Durante a era Eisenhower, anos 50, na época do “In God we Trust” (Em Deus confiamos) – frase cunhada na moeda americana -  o teólogo H. Richard Niebuhr publicou um livro que se tornou um clássico – Cristo e a Cultura – que descreve cinco abordagens em como cristãos/governo ou igreja/estado, poderiam se relacionar.


1. Cristo acima da Cultura
Primeira abordagem de Niebuhr se refere ao tempo em que a igreja tinha poder sobre o governo. A Europa nos dias do Império Romano retrata isso: a realeza se ajoelhava perante o papa e não o contrário. 


2. Cristo contra a cultura
Aqui acredita-se que cristãos devem viver separados do mundo, criando sua própria contracultura, mudando a maneira como vivem incluindo vestimentas etc. Essas pessoas se recusavam a pedir a benção dos religiosos, servir ao exército, o que enfurecia o governo. Como resultado, países como Inglaterra, Rússia, França e Alemanha cruelmente os perseguiram. A América do Norte serviu de refúgio para muitos desses grupos: Anabatistas,  Amish, Menonitas, Quakers e Luteranos.

3.   Cristo em conflito com a Cultura
Luteranos desenvolveram uma doutrina “Cristo em conflito com a cultura”. Na terra fazemos parte de dois mundos, disse Lutero:  o reino de Cristo e o mundo. Cada um com o seu próprio conceito de autoridade sendo que estamos sujeitos a ambos. Obviamente o governo algumas vezes pedirá a cristãos que façam coisas contra sua lei moral, trazendo os dois reinos em conflito. Na Alemanha, terra de Lutero, vários soldados de Hitler agiam dando a seguinte desculpa: “Estamos somente obedecendo ordens”.

4. Cristo com a Cultura
Essa abordagem tomou muitas formas com teólogos liberais misturando teologia e política a secularistas que acreditam que a democracia e justiça cumprem o que Jesus ensinou. Enquanto trabalham para reformar a sociedade, tendem a refletir a cultura ao redor ao ponto de perder sua fé.

Pode-se dizer, que Niebuhr não conseguiu antecipar totalmente as sociedades modernas que englobam diversas culturas. Suas abordagens eram todas pensadas em apenas uma cultura.

Vivendo em um mundo multicultural

Quais objetivos devemos buscar em uma democracia abrigando diversas religiões?

Sendo o cristianismo a religião com a maior quantidade de seguidores no Ocidente, até que ponto podemos ser influenciados pela cultura que nos cerca?


A história oferece vários exemplos onde a fé interage com a cultura. 

Jesus aceitou muito da cultura religiosa ao adorar na sinagoga e no templo sendo chamado de Rabi. Fez algumas importantes exceções como: alcançou os hereges samaritanos e pecadores, quebrou a regra do sábado e usou força ao expulsar quem queria lucrar no templo. Ao mesmo tempo, mostrou pouca preocupação com a política secular, chamando Herodes de “aquela raposa”, deu respostas evasivas a Pôncio Pilatos  e nos deixou um princípio enigmático de “De a César o que é de Cesar e a Deus o que é de Deus”.

Já o apostolo Paulo esteve mais perto do estado, utilizando o título de cidadão romano para testemunhar ousadamente perante os juízes romanos e até mesmo ao rei. Ele confrontou a cultura com a nova mensagem de Jesus mostrando respeito pelas autoridades políticas. Até mesmo confiou no poder Romano para protegê-lo das autoridades religiosas que queriam mata-lo apelando para Roma. 

O novo testamento apresenta o governo como necessário, até mesmo ordenado por Deus, mas certamente não patrocinador ou amigo da fé. A maioria dos doze discípulos morreram como mártir e os primeiros cristãos sofreram frequentes perseguições dos imperadores Romanos.

As vezes igreja e estado trabalham de mãos dadas para encorajar valores morais que ambas concordam. As duas maiores religiões, Cristianismo e Islamismo, procuram influenciar a cultura que as rodeia. Países de maioria muçulmana seguem a lei da Sharia, onde tanto religião como estado impõem leis vindas do Alcorão.


Impor ou Servir?
Há tempos tanto igreja como estado resolveram de certa forma forçar, impor de forma arbitrária valores morais que acreditam. Os EUA e seus aliados lutaram uma longa e sangrenta guerra no Afeganistão para liberar os afegãos do fanático e tirano Talibã que proíbe educação de meninas, música, além de semanalmente exibir publicamente em um estádio de futebol corte de mãos de ladrões e apedrejamento de adúlteros. Em alguns países muçulmanos, a polícia moral publicamente bate em mulheres que dirigem um carro sozinhas ou ousam andar de táxi desacompanhada de seus maridos.

O século XX viu tiranos de regimes ateístas prenderem e matarem dez milhões de pessoas, censurar arte, literatura, música além de torturar cidadãos que trocam de credo.

A polícia moral no Camboja e a Guarda Vermelha na China, persegue pessoas de crimes como usar óculos de sol, portar dinheiro ou ter um diploma universitário.

Para sua própria vergonha também, o cristianismo teve sua época de uso da coerção. Na Irlanda por exemplo, quem faltava ao culto era severamente advertido e líderes do norte forçavam algumas vezes católicos a frequentarem igrejas protestantes. 

Em 1942 a Espanha decretou que todo judeu convertido ao cristianismo deveria ser expulso do pais.


Após muitos episódios como esses, tornou-se claro que a proximidade entre religião e estado leva a abuso de poder.

Cristãos experimentaram a mistura igreja X estado, tanto em Gênova com Calvino ou na Espanha sob a Inquisição. Pode ter funcionado por um tempo, mas inevitavelmente provocou uma reação muito negativa contra a igreja como vemos hoje na Europa pós cristã. 

Olhando os Estados Unidos da perspectiva da Europa, o historiador Paul  Johnson identifica isso como uma das melhores contribuições. “Assumir esse princípio, o ponto central do cristianismo na América, de que a convicção de cada indivíduo, livremente exercida nas igrejas, atuando voluntariamente, irá gradualmente e necessariamente permear a sociedade pelo exemplo.”

Cristãos e muçulmanos enfrentam desafios opostos. Islã, fundado simultaneamente como religião e estado, tende a unificar religião, cultura e política. Por um tempo, o Cristianismo ocidental evoluiu da ideia de uma sociedade unificada para a separação de igreja e estado garantindo liberdade religiosa. Para quem é de fora, as diferenças são gritantes: enquanto em uma escola americana há o debate sobre a legalidade de uma oração de um minuto antes de um jogo de futebol, em países estritamente muçulmanos, o comercio e transporte param o que estão fazendo cinco vezes ao dia para a oração.

Liberdade sempre envolve riscos, tanto que a Europa fugindo das restrições impostas por um Estado não laico se tornou uma cultura pós Cristã.
Não existe atualmente um pais pós Islã, a não ser países onde forçadamente a religião foi destituída. 

Talvez seja por essa razão que alguns Cristãos parecem ansiar por um tipo de governo mais parecido com o muçulmano. Um país onde o estado dite as regras da cultura. Eles também usam poder político e um código legal que reflete seus valores morais.

Cristãos irão novamente voltar ao modelo de impor ao resto da sociedade seus valores morais? Fazendo isso, estaremos traindo nossos fundadores que resistiram à tentação de impor obediência a todos, morrendo como mártir nas mãos de um poderoso estado.

Como disse Miroslav Volf: “Impor algo é o contrário da fé cristã cuja essência significa servir – e não impor.

Algumas práticas que eram comuns como: sacrifício humano, escravos, duelos de morte, trabalho infantil, exploração de mulheres, racismo são hoje considerados crimes e alguns casos banidos muito devido à influência do cristianismo em uma cultura. 

Percebo que alguns cristãos realmente acreditam que se fossem aprovadas leis mais conservadoras, poderíamos mudar o nosso país. Um famoso líder espiritual afirma: “ A única maneira de termos um genuíno avivamento é através de uma reforma legislativa”. Teria ele apoio da maioria dos cristãos?

Citou T.S. Eliot.: “É uma perigosa inversão, justificar o cristianismo como sendo a base da moralidade ao invés da necessidade da moralidade cristã que vem  da verdade do cristianismo.”

Vejo a confusão entre política e religião como uma das maiores barreiras a se alcançar a graça de Deus. C.S. Lewis disse que quase todos os crimes da história do cristianismo são relacionados ao momento em que política e religião se misturam. Política, onde sempre funciona pela regra não da graça, nos tenta a deixar a graça de lado por poder, tentação que a igreja nem sempre consegue resistir.

A frase de Thomas Jefferson: “Muro de separação entre igreja e estado”, foi primeiramente citada em uma carta da Convenção Batista que deu boas vindas a tal muro de separação. Batistas, puritanos, Quaker e outros grupos menores fizeram uma longa viagem à América com a esperança de encontrar um lugar onde havia essa separação pois todos tinham sido vítimas se um estado financiado pela perseguição religiosa. 

Quando a igreja se une ao estado, tende a usufruir e exercer poder ao invés de dispensar graça.

Mark Galli escreveu na revista História do Cristianismo: “Cristãos nos dias de hoje reclamam sobre a desunião da igreja, a falta de líderes políticos cristãos, e a carência de cristãos que influenciam a cultura popular secular. Nenhuma das reclamações faziam parte da idade média, uma era onde a igreja era uma com o estado. Cristãos indicavam os principais líderes políticos e a fé permeava toda a cultura da época. Mesmo assim olharíamos para trás com nostalgia sabendo do resultado? As cruzadas devastaram terras. Muitos foram convertidos pela espada. Inquisidores perseguiram judeus, bruxas, os sujeitando a cruéis testes de fé. Verdadeiramente a igreja era a política moral da sociedade. Graça deu lugar ao poder.

Quando a igreja teve a oportunidade de decidir as regras de toda uma sociedade, se tornou o extremismo que Jesus advertiu contra. Considerando o exemplo de Gênova de Calvino, oficiais poderiam chamar a atenção de qualquer pessoa por questionar a fé. Ir à igreja era obrigatório. Existiam leis para definir quantos pratos poderiam ser servidos em um jantar e cores apropriadas para as vestimentas. Uma mulher cujo cabelo alcançasse um tamanho “imoral” passaria quatro dias na cadeia. Em alguns incidentes, alguns dos parentes próximos de Calvino foram executados quando achados na cama com seus amantes. 

Depois de reportar sobre esses momentos, o historiador conclui: “Tentativas para alcançar uma perfeita sociedade cristã, levou papas e revolucionários a praticarem sangrentos atos de terror”. Isso deve nos fazer pensar sobre as vozes que hoje nos chamam a derrubar o muro entre igreja e estado e restaurar a moralidade na nossa sociedade.

Em uma parábola Jesus nos adverte sobre os fazendeiros que queriam arrancar o joio da plantação podendo arrancar junto trigo. Jesus é o único justo juiz.

Queremos nós arrancar o joio do trigo? Queremos nós fazer essa separação?

Apostolo Paulo tem muito a dizer sobre a imoralidade de alguns membros de igreja, mas pouco sobre a imoralidade pagã de Roma. Ele não protestou sobre os abusos de Roma (escravidão, idolatria, jogos de gladiadores, opressão política, invejas) – mesmo que esses abusos certamente ofendessem cristãos da época -  tão quanto a sociedade deteriorada de hoje ofende os cristãos.

Quando fui a Casa Branca visitar o presidente Clinton, estava ciente de que sua reputação com os cristãos conservadores pendia em dois assuntos: aborto e direitos dos homossexuais. Concordo que são pontos importantes que os cristãos devem tratar mas quando vejo o novo testamento, encontro muito pouco sobre esses assuntos, práticas que existiam na época, de maneira diferente e ainda mais ofensiva. Cidadãos romanos não confiavam no aborto como controle de natalidade. As mulheres tinham seus filhos e então os abandonavam do outro lado da rua para animais os atacarem. Por outro lado, tanto romanos como gregos, praticavam uma forma de sexo onde homens mais velhos costumeiramente usavam meninos como escravos sexuais.

Tanto nos dias de Jesus como nos de Paulo, esses assuntos aconteciam e afetavam os cidadãos da época. Hoje,  são crimes em qualquer país civilizado do mundo. Nenhum país permite alguém matar um recém-nascido. Nenhum país permite sexo com crianças. Jesus e Paulo sem dúvida nenhuma sabiam dessas práticas deploráveis e mesmo assim Jesus não disse uma só palavra sobe isso e Paulo fez apenas poucas referências sobre relação o caso de sexual entre pessoas do mesmo sexo. 

Ambos não se concentraram nas práticas pagãs que os cercavam, mas no reino de Deus.

Por essa razão, questiono sobre grande energia depositava em restaurar a moralidade nos EUA.  Estamos mais preocupados com as coisas desse reino do que com as que não são?


Como nos sentiríamos se os historiadores se referirem a igreja dos dias atuais como: “Eles bravamente lutaram contra o aborto e os direitos dos homossexuais, enquanto que ao mesmo tempo fizeram pouco para cumprir o chamado da Grande Comissão e espalhar o aroma da graça no mundo?"

continua no segundo post....

Estado x Igreja - post 2